Centro Cultural Horácio Macedo (CCHM)

Inaugurado em 17 de março de 2006, o Centro Cultural Professor Horácio  Macedo é um moderno complexo arquitetônico destinado para atividades culturais, reuniões e conferências. Além do auditório, que comporta 487 lugares, sendo conhecido popularmente como Roxinho e que, na década de 80, foi palco de grandes eventos e berço de lutas históricas dos movimentos docente e sindical, o complexo inclui a Biblioteca Central, uma área de exposições e um Centro de Convivência. Seu nome é uma homenagem ao professor Horácio de Macedo, ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Professor Horácio Macedo

Horácio Cintra de Magalhães Macedo nasceu no Rio de Janeiro em 14 de outubro de 1925, bisneto do engenheiro Coelho Cintra, que urbanizou Copacabana, abriu o Túnel Velho e deu nome ao Túnel Novo.

Formou-se em Química Industrial pela Universidade do Brasil (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro) em dezembro de 1943. Por esta época, completou-se o curso de violinista, profissão que pensou exercer até que se decidiu por química.

Desde jovem militou na política. Chegou a ser recusado na Força Expedicionária Brasileira (FEB), quando se alistou para lutar contra o nazi-fascismo, devido a sua pouca idade. Participou ativamente de toda a campanha “O Petróleo é Nosso” e, em 1950 entrou para o PCB, partido a que pertenceu até morrer. Quando a União Soviéticas e dissolveu e a direção brasileira resolveu extinguir o PCB, Horácio Macedo recuperou a sigla na justiça e assegurou a continuação do Partido. Foi, desde então, membro do Comitê Central e, de 1992 a 1994, seu presidente nacional.

Em 1951, Horácio Macedo foi nomeado Professor de Matemática do curso de biologia do Instituto Oswaldo Cruz, na cadeira do professor Haiti Moussatché. No início de 1953, a direção recém-empossada o demitiu por motivos políticos. Muitos anos depois (de 1986 a 1988), voltou a Manguinhos como membro de seu Conselho Técnico-Científico.

Em 1960, foi contratado como Professor Associado do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e nomeado Chefe de Departamento de Ensino. Montou neste departamento um laboratório didático, em que puderam ter aulas práticas de Física. Várias turmas da Faculdade Nacional de Filosofia e onde estagiaram jovens professores do Brasil e da América Latina. Depois do golpe militar, visitado em casa nas duas vezes em que tentou reassumir as funções, pediu demissão do CBPF. Até a exasperação do golpe, com a edição do AI-5, foi o único excluído dessa instituição por motivos políticos.

De 1962 a 1966, foi Regente da Cadeira de Física Geral e Experimental da Faculdade Nacional de Filosofia. Em decorrência dos intensos movimentos de reforma do ensino que ai se envolveu, respondeu ao Inquérito Policial Militar dos 44 professores da F.N.Fi, todos afinal absolvidos pela inépcia da denúncia.

Em 1963, Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, integrantes do governo de João Goulart criaram a Missão Científica Brasileira do Leste Europeu (Alemanha, Polônia, Tchecoslováquia e União Soviética) que permutaria café brasileiro por material didático e científico. O convênio era tão grande que Darcy Ribeiro concluiu que ficava mais barato comprar do que alugar a frota de caminhões que levaria à Universidade de Brasília o material recebido no porto de Salvador. Com Jacques Danon, Horácio Macedo trabalhou dois meses naqueles países selecionando o material de Física, Química e Físico-Química. Com o golpe, o Brasil rechaçou o material científico “subversivo” e deixou que os vermes comessem o café estocado.

Em 1966, o Horácio Macedo foi contratado como Professor Titular para projetar e implementar os cursos de Engenharia Química e Química Industrial da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Uma década depois, quando de lá saiu para que as divergências ideológicas com o então Reitor não arruinassem o que criara, os cursos estavam solidamente estruturados e com vida própria. Depois da redemocratização do País, a Universidade o homenageou concedendo-lhe o título de Professor Emérito.

Horácio Macedo ensinou em diversas instituições. Em 1974 e 1975 foi Regente de Termodinâmica do Curso de Processamento Petroquímico da PETROBRÁS, cujos alunos o indicaram oficialmente o melhor professor da turma. Era profundo conhecedor de marxismo e, nesta área, deu cursos e conferências em diversos níveis em diferentes cidades brasileiras.

Além de 15 monografias didáticas de circulação interna à UFRJ, à UFRRJ e ao CBPF, Horácio Macedo publicou 6 livros, dentre os quais teoria Cinética dos Gases, Físico-Química e Dicionário de Física. Redigiu 35 artigos da edição de 1976 da Enciclopédia Mirador Internacional. Da edição de 1986 do dicionário Aurélio, escreveu os verbetes de Estatística, Física, Físico-Química e Química e parte dos de Matemática. Traduziu 21 títulos nas áreas de Física, Físico-Química e Química, dentre os quais, em 1976, o volumoso Manual de Engenharia Química: de Perry e Chillton. Publicou também artigos científicos em revistas nacionais e estrangeiras e orientou teses acadêmicas.

Recebeu as mais diversas homenagens. Dos alunos de variadas carreiras profissionais, foi homenageado especial, patrono ou paraninfo em mais de 60 formaturas. Na Universidade Rural, os estudantes inauguraram em 1971 o Diretório acadêmico Horácio Macedo, nominação rara no País por se tratar de um professor vivo. Pela sua combinação à profissão, o Sindicato dos Químicos do Rio de Janeiro lhe deu duas Retortas de ouro: em 1981 e posteriormente em 1999. Em 1987, pelo conjunto de sua obra, recebeu o diploma de Personalidade Cultural da União Brasileira de Escritores. Em 1997, foi condecorado com a Medalha Pedro Ernesto na Câmara dos Vereadores do Rio.

Mas foi na UFRJ que Horácio Macedo teve destaque especial. Nomeado em 1953 Professor de Físico-Química da Escola Nacional de Química, foi em 1964 promovido a Regente da cadeira. Com a reforma universitária, lotado no instituto de Química da UFRJ, tornou-se por concurso público Livre-Docente em 1974 e professor Adjunto em 1975. Ocupou sucessivamente vários cargos docentes, entre os quais, 1982 a 1985, o de Decano do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza.

Em 1985, tornou-se o primeiro Reitor brasileiro eleito pela comunidade universitária. Apresentando-se com 17 outros concorrentes, foi indicado em primeiro turno pela maioria absoluta dos professores, funcionários e alunos. Seu mandato de 4 anos caracterizou-se por um dinamismo explosivo na UFRJ. Tirou a Universidade do “vestibular das cruzinhas” da ditadura. Aprimorou a graduação e a pós-graduação. Criou atividades de extensão que expandiram as fronteiras do Campus e envolveram as comunidades carentes vizinhas. Ampliou os programas de saúde já existentes no Hospital Universitário e criou muitos novos. Resgatou, reformou, e construiu prédios diversos. Abriu o concurso de docentes em várias áreas, regularizou a situação trabalhista de centenas de funcionários, corrigiu o enquadramento de professores anistiados, aumentou as vagas discentes e criou cursos novos e áreas novas. Procurou reparar a penúria a que haviam sido relegadas pela ditadura as ciências humanas e as artes apoiando-as abundantemente. Lutou do começo ao fim pela autonomia da Universidade, para que se tornasse realidade concreta a sua existência como autarquia (auto + arquia). Reeleito, também por maioria absoluta e em primeiro turno, pela comunidade em 1989, não pode exercer a segunda reitoria por um parecer jurídico que declarou institucional qualquer reeleição.

Horácio Macedo morreu de infarto agudo no miorcádio em 24 de fevereiro de 1999, no Rio de Janeiro.